Longe de mim querer ser o cavaleiro do apocalipse, mas no meu último texto publicado aqui, alertei para termos cuidado com a euforia que aportou em Melwood após o bom início de temporada. Isso foi antes da primeira parada da data Fifa na temporada – aquela que foi fundamental para Coutinho se recuperar de um incurável problema nas costas (ironia mode on).

De lá para cá, seis jogos e apenas duas vitórias. Foram sete gols marcados e, pasmem, 13 sofridos, cinco deles na acachapante derrota para o Manchester City por 5-0, no estádio do time azul. Não somente os resultados, mas as performances escararam as feridas do time de Jürgen Klopp, que na minha visão, é o principal culpado pelo mau momento e a queda de rendimento da equipe – assim como foi o responsável pela boa fase no início da temporada.

Para começar, a culpa por não termos pelo menos um zagueiro minimamente confiável é do alemão, que encasquetou com o Virgil Van Dijk e esqueceu de outros bons nomes que podiam muito bem exercer o papel do holandês em Anfield. Sabe aquela criança mimada que bate o pé para um brinquedo e somente ele serve? Pois é, Klopp fez isso. Ou chegava o beque do Southampton ou não viria ninguém. Não veio.


Insisti, quanto o mercado ainda estava aberto, para que o comandante Red se atentasse para a necessidade de contratar um atacante. Mas um atacante de verdade, um exímio finalizador, goleador. Não um espectro ou cosplay de centroavante, como é Roberto Firmino, o escolhido por Klopp para ser o 9. Ressalto: temos bons jogadores de ataque, mas nenhum, porém, com faro de gol aguçado. Agora, depois de criar muito e marcar pouco, ficou provado o quanto era necessário um jogador com essas características.

Não é de hoje que alguns aspectos interessantes – para não dizer defeitos – tem me chamado a atenção na gestão do carismático técnico alemão. O primeiro deles é a escalação. Ao meu ver, erra em escalar o time com Klavan. Erra também em começar as partidas com Trent Alexander-Arnold e Alberto Moreno, dois laterais que não marcam, deixando a equipe claramente desequilibrada. Pior: erra em insistir com Georginio Wijnaldum fora de posição e com Firmino de 9, que atravessa um péssimo momento.

Não bastasse escalar mal, o alemão mexe tarde e errado. Contra o City, com um jogador a menos, fora de casa e em desvantagem no placar, só mexeu no intervalo e, ao invés de fechar a casinha e tentar evitar um atropelo, manteve o time aberto: tirou Wijnaldum, Salah e Firmino para as entradas de Chamberlain, Milner e Solanke. Contra o Sevilla, mudou quatro minutos após tomar o empate, aos 31 do segundo tempo.

Contra o Burnley, em casa, precisando vencer, só fez duas substituições. A primeira delas aos 33 minutos da etapa final: colocou Chamberlain e Solanke nos lugares de Coutinho e Firmino. Na derrota para o Leicester por 2-0, mexeu na volta para o segundo tempo, porém, pelo segundo jogo consecutivo, terminou a partida com uma substituição por fazer. Neste jogo, entraram Ings e Woodburn e saíram Coutinho e Wijnaldum.

Justiça seja feita, na vitória diante do Leicester por 3-2, Klopp fez boas alterações e a primeira delas aos 19 minutos da etapa final: trocou Can, Firmino e Coutinho por Milner, Sturridge e Chamberlain. Daí, quando parecia que iria engrenar no quesito “substituições”, o alemão mexeu apenas duas vezes no empate com o Spartak Moscou. Aos 25 tirou Mané e lançou Sturridge, e aos 28 foi de Wijnaldum no lugar de Can.

Chega de passar a mão na cabeça do treinador. Ele precisa ser questionado por tudo aquilo que vem fazendo – ou deixando de fazer – no comando do Liverpool. Deixou de contratar, demora para mexer e substitui errado. Ainda bem que logo teremos outra pausa internacional. Tomara que ela sirva para o Klopp analisar e tentar corrigir os defeitos da equipe e os seus próprios. Está na hora de mudar o discurso, sair do campo das palavras e agir.

#YNWA

Por André Tobias. / Contatos: facebook.com/andrettobias - Twitter @andrettobias