Tem me impressionado a quantidade de torcedores vermelhos loucamente apaixonados por Jürgen Klopp. Se o time consegue um bom resultado, os méritos são do alemão, do contrário, a culpa recai sobre os jogadores. E sempre são os mesmos, geralmente aqueles que compõe a linha defensiva do Liverpool.

O carisma mascara. Basta trazer isso para o nosso dia a dia. No trabalho, tem aqueles colegas que são gente boa, super legais, mas profissionais nem tão competentes assim. Na escola ou na faculdade, com certeza você já colocou o nome de alguém em alguma atividade em grupo só pelo fato de ele ser bacana.

Se o ex-goleiro e técnico do Fortaleza, Rogério Ceni, "faltou à aula de encantador de serpentes", como disse o zagueiro uruguaio Diego Lugano no início desta temporada, Klopp sabe como passar uma boa imagem, o que acaba se sobrepondo em relação às suas escolhas técnicas e táticas.

Veja bem, não estou dizendo que o alemão é apenas gente boa e que isso é um demérito. Pelo contrário. Reconheço os bons serviços prestados ao Liverpool, quando colocou o time em duas finais em sua primeira temporada - apesar de ter perdido ambas. Um bom profissional, de caráter e com uma ideia de futebol muito bem estabelecida que, inclusive, me agrada.

Do jogo diante do Huddersfield até a partida contra o Southampton, o time apresentou sim uma evolução, apesar da limitação e do mau momento dos adversários. Mas na última terça-feira (21), no fatídico empate com o Sevilla, o que se viu no segundo tempo foi algo inacreditável.


Para muitos, o tropeço tem um culpado: Alberto Moreno. Raso e covarde culpar apenas o lateral-esquerdo espanhol. Ele não pediu para ser contratado lá em 2014. Foi o Liverpool quem quis. Ele não exige a titularidade, é Klopp quem o escala entre os titulares. E faz isso depois de ter trazido Andrew Robertson, ex-Hull City, na última janela de verão, justamente para ocupar a vaga que hoje é do ex-jogador do Sevilla.

Fora de casa, após sofrer o primeiro gol logo no início do segundo tempo e com o estádio se transformando num caldeirão, o que fazer para não perder as rédeas da partida? Na visão de Klopp, fortalecer a marcação e chamar o adversário para o seu campo foi a melhor saída. Lançou Milner, Can e Ox nos lugares de Moreno, Coutinho e Salah, respectivamente. Wijnaldum e Henderson são intocáveis. Fizeram um jogo pífio, mas não podem ser substituídos, nunca, em hipótese alguma.

E não foi o primeiro jogo da temporada que sofremos com a postura passiva do time após ficar à frente do placar. Contra Watford (primeira rodada da Premier Legue), Sevilla (em Anfield) e Newcastle (sétima rodada da Premier League) aconteceu algo parecido, mas não igual ao que houve diante do time espanhol na terça.

O que Milner, Grujic e Robertson precisam fazer para ter uma chance entre os titulares? Por que ficar nessa baboseira de alternar Trent e Gomez na lateral-direita e Mignolet e Karius da meta? Por que quando o time vai bem e consegue vitórias maiúsculas, Klopp é apontado como gênio e quando tropeça a culpa é sempre de algum jogador?

Teimoso. Já falei e volto a repetir: precisa ser cobrado da mesma forma como é elogiado. O carisma mascara. Talvez por isso seja tão difícil questionar um cara gente boa, como é Jürgen. Um técnico que, apesar de competente, não ganhou nada com o Liverpool, mas tem status de intocável e ídolo. Alguns torcedores são tão apaixonados pelo alemão que me passam a sensação, inclusive, de que sem ele, o Liverpool acaba. Mas, me tranquilizo quando lembro o que esse clube já conquistou e o que representa. Klopps vêm e vão!

Por André Tobias. / Contatos: facebook.com/andrettobias - Twitter @andrettobias



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