Texto por Colaborador: A. Rother 19/06/2026 - 02:30

A trajetória de Victor Munoz até o Liverpool não segue o roteiro convencional. O ponta espanhol passou boa parte da carreira recente no time B do Real Madrid, na terceira divisão do país, com apenas seis aparições pelo elenco principal — quatro delas no Mundial de Clubes —, antes de ser vendido ao Osasuna por €6 milhões no verão passado. No clube navarro, ganhou da mídia espanhola o apelido de "O Barão Vermelho", em referência ao estilo direto e arrojado de jogo, com 1,70m e cabelos ruivos chamando atenção em campo.

Os números da temporada de estreia na La Liga surpreendem, especialmente considerando que o Osasuna terminou em 17º lugar. Munoz completou 75 dribles — número superado apenas por Mbappé, Vinicius Júnior e Lamine Yamal — e registrou 318 avanços progressivos, nono maior total da competição, ao lado de nomes normalmente associados a clubes de elite. Para um jogador de um time em dificuldades, é um indicador forte da responsabilidade que assumiu dentro de campo. No total, marcou sete gols e deu cinco assistências na temporada.

O interesse no mercado já era grande. O Sunderland tentou contratá-lo em janeiro por €25 milhões, mas o Osasuna manteve a cláusula de rescisão em €40 milhões — valor que o Liverpool topou pagar para fechar o negócio. O Real Madrid, que detém 50% dos direitos econômicos e uma cláusula de recompra, deve receber €20 milhões com a transferência.

O desempenho também abriu as portas da seleção espanhola. O técnico Luis de la Fuente elogiou o jovem: "Ele tem uma energia fantástica e nos permite mudar o ritmo da partida." Munoz marcou na própria estreia pela Espanha, nove minutos depois de entrar em campo contra a Sérvia, em março, e atualmente disputa a Copa do Mundo com a seleção.

O especialista em La Liga Phil Minshull, quando o Newcastle ainda negociava com o jogador, descreveu seu perfil à BBC Radio Newcastle: "Ele é um jovem talento excepcional, uma das pérolas do futebol espanhol. É um ponta-direita muito forte e destro, pode jogar nos dois lados do campo, é muito físico e desafia os zagueiros. Uma incógnita é o passe — deu apenas duas assistências na última temporada —, mas ele encara os defensores e abre espaço para os outros atacantes. Também está sempre recuando para marcar e é um defensor forte. Não há dúvidas sobre sua dedicação."

O produto final ainda está em desenvolvimento, mas o perfil é exatamente o que se busca num modelo construído sobre intensidade e transições ofensivas: um jogador resistente à pressão, que cria ímpeto, rompe linhas com o drible e leva sua equipe ao terço final de forma consistente.





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