Texto por Colaborador: A. Rother 11/06/2026 - 01:00

O Everton foi condenado a pagar £40 milhões de libras ao Burnley em indenização por violar as Regras de Lucratividade e Sustentabilidade (PSR) da Premier League. A decisão, baseada no princípio jurídico da "perda de oportunidade", pode ter consequências de longo alcance para o Manchester City, que ainda aguarda o veredicto sobre suas 115 acusações de violação do Fair Play Financeiro.

O caso tem origem no rebaixamento do Burnley em 2022. O clube argumentou que, se os pontos deduzidos ao Everton tivessem sido aplicados durante a temporada em que a infração ocorreu — e não no final de 2023 —, teria mantido seu lugar na Premier League. O tribunal deu razão ao Burnley. O Everton está recorrendo da decisão, mas o precedente legal já está estabelecido: clubes prejudicados por infrações de rivais têm embasamento legal para cobrar indenização.

A lógica é clara, segundo análise da revista The Lawyer: "Embora não fosse certo que o Burnley permaneceria na Premier League, as infrações do Everton o privaram de uma chance real de fazê-lo. Os danos são calculados considerando o valor da oportunidade perdida e a probabilidade de sucesso."

É exatamente esse raciocínio que coloca o Manchester City em situação delicada. As 115 acusações contra o clube cobrem todas as temporadas entre 2009-10 e 2022-23 e envolvem desde a precisão no reporte de informações financeiras e contratos de patrocínio até o cumprimento das regras da UEFA e da própria Premier League. Uma comissão independente analisou o caso entre setembro e dezembro de 2024, mas o veredicto ainda não foi divulgado.

Segundo informações, vários clubes da Premier League já contrataram advogados para processar o City por indenização caso as violações sejam comprovadas. As possíveis sanções vão desde multas até dedução massiva de pontos — e os títulos conquistados no período podem ser cassados retroativamente.

O impacto histórico seria enorme. Se o City tivesse perdido seis pontos em cada uma das 14 temporadas investigadas, teria dois títulos da Premier League, não seis. O Arsenal teria levantado mais algumas taças, o Liverpool teria vencido mais três sob Klopp, e Sergio Agüero não teria partido o coração do Manchester United naquele último lance da temporada 2011/12. O City também não teria se classificado para a Liga dos Campeões em 2015/16 — a temporada anterior à chegada de Pep Guardiola.





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