Texto por Colaborador: A. Rother 10/10/2026 - 03:30

John Achterberg, ex-treinador de goleiros do Liverpool, pediu punições severas ao Manchester City após a confirmação das acusações de irregularidades financeiras envolvendo o clube. Para o holandês, o veredicto apenas confirmou algo que já suspeitava durante seus 15 anos de trabalho em Anfield, entre 2009 e 2024.

Achterberg trabalhou no Liverpool durante as passagens dos técnicos Rafa Benítez, Roy Hodgson, Kenny Dalglish, Brendan Rodgers e Jürgen Klopp. Nesse período, acompanhou a ascensão do Manchester City e acredita que o rival contou com uma vantagem injusta na disputa por títulos.

“Não fiquei com raiva nem surpreso. Isso apenas confirmou o que eu já sabia”, afirmou Achterberg, em entrevista a James Pearce, do The Athletic, ao comentar as 114 acusações. “Ao longo de todos esses anos no Liverpool, ficou claro que estávamos lutando contra um adversário que tinha uma vantagem injusta.”

O ex-profissional também recordou as oportunidades em que o Liverpool terminou atrás do City na disputa pelo Campeonato Inglês. Um dos casos mais marcantes foi a temporada 2013/14, quando a equipe comandada por Brendan Rodgers fez uma campanha de destaque, mas não conseguiu conquistar a Premier League.

Na avaliação de Achterberg, as supostas irregularidades financeiras do clube de Manchester tiveram consequências que ultrapassaram o período em que ocorreram, dando ao rival condições de continuar conquistando troféus.

“Mesmo que tivessem seguido as regras dali em diante, quebrá-las por tanto tempo antes de 2018 os colocou em uma posição muito forte para continuar ganhando troféus”, argumentou.

Achterberg também destacou o impacto que a conquista de títulos teria na história de figuras importantes do Liverpool. Para ele, a equipe construída gradualmente por Klopp poderia ter um legado ainda maior caso tivesse recebido o reconhecimento que considera merecido pelo futebol apresentado.

“Imagine o quão mais lendária seria aquela equipe que Jürgen construiu gradualmente se eles tivessem recebido o que realmente mereciam pelo futebol incrível que jogaram. Não trapaceamos; fizemos tudo conforme as regras”, declarou.

O holandês também citou Rodgers, cuja imagem entre os torcedores poderia ser diferente caso tivesse conquistado a liga em 2013/14. Além disso, lembrou Steven Gerrard e a oportunidade que o ex-capitão teve de conquistar o único título da Premier League que faltou em sua carreira.

“Também penso em Steven Gerrard naquela temporada. Ele deveria ter coroado uma carreira incrível com uma medalha de campeão da Premier League. Era a única que lhe faltava”, disse.

Outro ponto levantado por Achterberg foi a diferença entre o tamanho das torcidas e as receitas comerciais dos dois clubes. Ele recordou uma partida disputada em Wembley na qual, segundo seu relato, o Manchester City não conseguiu vender todos os ingressos que tinha à disposição, enquanto suas receitas comerciais superavam as do Liverpool.

“Estávamos sentados lá pensando: ‘Como é que o City consegue gastar tanto?’”, contou. “A torcida deles não chega nem perto do tamanho da do Liverpool, mas a receita comercial deles era maior. Não fazia sentido nenhum.”

A polêmica também remete a uma declaração anterior de Klopp, que chegou a brincar sobre a possibilidade de um desfile em ônibus aberto caso o Liverpool recebesse algum título retirado do Manchester City. Posteriormente, o alemão voltou atrás na brincadeira.

Achterberg, por sua vez, defende consequências esportivas e financeiras rigorosas. Para ele, a Premier League deveria considerar o rebaixamento, multas e a anulação dos títulos conquistados pelo City.

“Tem que ser severo. Do contrário, você está basicamente dizendo aos clubes que eles podem quebrar as regras, gastar o que quiserem, ganhar títulos e fazer história sem consequências”, afirmou.

“Eles deveriam ser rebaixados e multados; seus títulos deveriam ser anulados e deixados em branco”, acrescentou.

O ex-treinador de goleiros admitiu que aceitaria uma eventual atribuição retroativa de títulos ao Liverpool, mas ponderou que isso não apagaria a frustração vivida na época.

“Se eles realocassem, eu aceitaria, mas não vejo muita vantagem nisso. Nunca se recupera o que foi perdido. Nunca mais terá o mesmo significado. Não dá para fazer um desfile tanto tempo depois”, concluiu.

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