Texto por Colaborador: Redação 05/03/2026 - 03:30

O Fenway Sports Group acredita que o Liverpool, como uma das maiores marcas globais do futebol, deveria receber uma parcela significativamente maior da verba centralizada dos direitos de transmissão da Premier League. Quem afirma isso é Kieran Maguire, especialista em finanças do futebol e professor na Universidade de Liverpool.

Na última temporada, quando conquistou o título, o clube faturou £175 milhões em prêmios. Desta vez, após a derrota para o Wolves que os deixou numa disputa acirrada por vagas na Champions League, o valor será menor.

O modelo atual da Premier League distribui o dinheiro com base na posição final na tabela. A única exceção são as "taxas de transmissão" — cerca de £1 milhão pagas a cada vez que um jogo é transmitido no país —, o que resulta, em linhas gerais, em um sistema meritocrático.

As disparidades financeiras entre clubes elite e proletários surgem pelas diferenças em receitas comerciais e de bilheteria. Na última temporada, a receita total do Wolves fora da televisão foi de cerca de £45 milhões. A do Liverpool, £444 milhões. Receitas maiores geram orçamentos maiores para contratações, o que leva à participação europeia, que por sua vez gera ainda mais dinheiro. Um ciclo virtuoso — ao menos para a elite — do qual o FSG se beneficia desde que adquiriu o clube em 2010.

John Henry e seu grupo, que hoje conta com cerca de 35 acionistas individuais, tornaram o Liverpool financeiramente autossuficiente enquanto rivais como Arsenal e Manchester City recebiam aportes bilionários de seus donos. Por isso, a geração de receita é mais estratégica para o FSG do que para a maioria dos concorrentes.

É nesse contexto que o anúncio da Premier League sobre uma nova plataforma de streaming direto ao consumidor — lançada em Singapura como teste para um possível serviço mundial — ganha relevância. O modelo D2C elimina o intermediário, vendendo passes diretamente aos fãs. No mercado interno, esse intermediário é a Sky Sports e a TNT. Globalmente, a Premier League arrecada £6,7 bilhões desses intermediários no atual ciclo de direitos, o que torna a mudança uma aposta arriscada — mas potencialmente muito lucrativa.

Se o modelo avançar, a questão central será como distribuir esse dinheiro. Segundo dados da Nielsen, o Liverpool foi o time mais assistido da Premier League no ano passado, e o FSG argumenta que isso deveria se refletir na fatia recebida. Em entrevista exclusiva ao Rousing The Kop, Maguire explicou a lógica do grupo:

"A ironia é que existem proprietários americanos envolvidos em franquias esportivas nos EUA, onde a negociação coletiva é muito comum, e eles a protegem com prazer porque seus times não necessariamente possuem as marcas mais fortes e prestigiadas. Mas, como eles têm uma das maiores marcas do futebol mundial, o Liverpool, querem se comunicar diretamente com essa torcida, em vez de negociar coletivamente por meio da Premier League."

Além do Liverpool, o FSG detém o Boston Red Sox (MLB), a RFK Racing (NASCAR) e o Boston Common Golf, além de participações no PGA Tour e no Pittsburgh Penguins (NHL). O grupo também tem sido constantemente associado à aquisição de uma franquia da NBA — todas ligas fechadas com distribuição financeira horizontal e tetos salariais que praticamente garantem lucros.

"O diabo estará nos detalhes", ponderou Maguire. "Se Singapura for bem-sucedida, o Liverpool poderá dizer: 'Vejam, vocês agora têm os dados de quantas pessoas assistem aos jogos do Liverpool — estamos sendo mal remunerados, porque somos nós que geramos a maior audiência, então só assinaremos o contrato de transmissão se houver uma mudança na forma como o dinheiro da Premier League é distribuído.' Isso aumentará ainda mais o já significativo desequilíbrio competitivo em termos de receita na Premier League."

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