Texto por Colaborador: A. Rother 23/10/2026 - 01:20

Jürgen Klopp revelou os bastidores da contratação de Diogo Jota pelo Liverpool em 2020 e explicou como o desempenho do português pelo Wolverhampton despertou seu interesse. O ex-treinador dos Reds contou que tomou a iniciativa de indicar o atacante, contrariando o procedimento habitual do clube para avaliar possíveis reforços.

A história foi compartilhada em trechos da biografia “Forever in our Hearts” (“Para sempre em nossos corações”), lançada pelo Liverpool em homenagem à vida, à carreira e ao legado de Jota. A obra reúne entrevistas com familiares e pessoas próximas ao jogador, incluindo Klopp, que comandou o português em Anfield.

Na época, o atacante chegou para ampliar as opções ofensivas de uma equipe que já contava com Roberto Firmino, Mohamed Salah e Sadio Mané. Segundo o treinador alemão, a contratação começou de maneira diferente do processo normalmente adotado pelo clube.

“Normalmente, quando contrato um jogador, o processo é diferente”, explicou Klopp.

“Trabalho em estreita colaboração com os olheiros e diretores esportivos, digo a eles qual posição preciso reforçar e eles me apresentam algumas opções. No caso do Diogo, fui eu quem tomou a iniciativa”, contou.

O técnico pediu que a equipe reunisse materiais sobre o atacante para que pudesse analisá-lo melhor. Além da qualidade técnica, Klopp destacou a versatilidade e a mentalidade do português como características que combinavam com as exigências do Liverpool.

“Pedi a eles que reunissem algum material sobre ele. Disse-lhes que queria analisá-lo mais a fundo e que estava entusiasmado com suas qualidades. Precisávamos de jogadores versáteis, e Diogo podia jogar em várias posições. Além disso, ele tinha a atitude e a mentalidade certas para um clube como o Liverpool”, afirmou.

A convicção de Klopp surgiu enquanto acompanhava uma partida do Wolverhampton. Ao observar uma jogada de Jota, o treinador percebeu características que o fizeram acreditar que o atacante seria uma contratação importante para os Reds.

“Quando Diogo se deslocou para a esquerda, usando seu físico, demonstrando técnica refinada e uma potência tremenda, pensei imediatamente: 'Quero esse jogador'”, recordou.

“Foi uma intuição, daquelas em que geralmente se pode confiar”, acrescentou.

Klopp também explicou que, ao longo da carreira, aprendeu a identificar aspectos do comportamento de um atleta dentro de campo que podem revelar muito sobre sua personalidade. Para ele, a leitura dessas características ajudou a reconhecer o potencial do português.

“Ao longo dos anos, aprendi que se você observar certas coisas em um jogador de futebol – certas ações – elas podem revelar muito sobre a pessoa. E houve apenas raríssimos casos em que fiquei desapontado ou percebi, mais tarde, que na verdade eram completamente diferentes”, declarou.

A aposta se mostrou acertada. Durante sua passagem pelo Liverpool, Jota marcou 65 gols em 182 partidas, tornando-se uma peça importante do setor ofensivo da equipe.

A biografia também aborda a perda do atacante, que morreu em 3 de julho de 2025, junto com o irmão, André Silva, em um acidente de carro. Ao falar sobre o assunto, Klopp admitiu que ainda encontra dificuldades para expressar o que sente diante da tragédia.

“Passei a maior parte da minha vida falando, mas agora estou por um fio, sem palavras – o que não é nada normal”, afirmou o treinador alemão. “É uma loucura.”

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