Texto por Colaborador: Redação 02/03/2026 - 03:30

Na sexta-feira, Arne Slot foi direto ao ponto ao avaliar o rendimento ofensivo do Liverpool na liga: "Isso não é suficiente." Seus jogadores responderam no sábado — Hugo Ekitike balançou as redes logo aos cinco minutos contra o West Ham, e Cody Gakpo encerrou seu próprio jejum. Mas o diagnóstico do técnico provavelmente ainda se sustenta.

Os Reds investiram £200 milhões em atacantes no último verão europeu, mas os números do setor ofensivo estão bem abaixo do que se esperava. Após 28 rodadas, os seis principais atacantes da temporada passada somavam 51 gols. Na atual, o mesmo recorte revela apenas 26 — pouco mais da metade, revelou levantamento de Richard Jolly, no Yahoo mas do Independet.

Os números por jogador escancararam o problema:

2024-25 (primeiras 28 rodadas): Mohamed Salah 25, Luis Díaz 9, Gakpo 8, Diogo Jota 5, Darwin Núñez 4, Federico Chiesa 0.

2025-26: Ekitike 11, Gakpo 6, Salah 4, Chiesa 2, Alexander Isak 2, Rio Ngumoha 1.

Incluindo Florian Wirtz — o terceiro grande reforço ofensivo do verão, que também atuou pelos lados do campo — o total da temporada sobe para 30.

Dois nomes concentram boa parte da explicação para a queda: Salah e Isak. O egípcio viveu uma das melhores fases de sua carreira nos primeiros dois terços da última temporada, marcando a cada 99 minutos e distribuindo 17 assistências, antes de ser eleito o melhor jogador da temporada pela PFA. Agora, porém, Salah amarga seu pior início de março desde que chegou a Anfield, há quatro meses sem marcar na Premier League — ainda que nesse período tenha passado um tempo no banco e disputado a Copa Africana de Nações.

Isak, por sua vez, havia marcado 19 gols nas primeiras 28 rodadas da última temporada pelo Newcastle, numa média de um a cada 109 minutos — ritmo próximo ao de Salah. A expectativa era de que o sueco assumisse o protagonismo goleador à medida que o egípcio envelhecesse. Mas a fragilidade física do atacante atrapalhou os planos: uma fratura na perna o tirou de campo pouco depois de marcar seu segundo gol pela Premier League com a camisa do Liverpool. No total, Isak jogou apenas 519 minutos. Salah, nessa temporada, marca a cada 429.

Slot reconhece que a falta de pênaltis pesa na conta. Na temporada passada, o Liverpool foi o clube que mais converteu cobranças de falta máxima na divisão, com nove. Nesta, foram apenas dois — o menor número, dividido com outros times — e Dominik Szoboszlai ainda desperdiçou um.

As estatísticas avançadas reforçam a queda. Na temporada passada, Salah e Isak superavam seus expected goals (xG) em 4,77 e 3,29, respectivamente. Agora, ambos estão abaixo: Salah rende 2,78 a menos do que seu xG indica. O xG por 90 minutos do egípcio caiu pela metade, de 0,73 para 0,36. O volume de finalizações também recuou, embora de forma menos acentuada.

No caso de Isak, que atuou parcialmente lesionado em alguns jogos, as finalizações caíram de 2,97 por 90 minutos para 2,60, e o xG de 0,68 para 0,48.

No restante do ataque, o cenário é misto. Chiesa e Ngumoha superam seus xGs e têm ótimas médias de gol por minuto, mas somam apenas uma titularidade entre os dois. Ekitike e Gakpo ficam abaixo dos seus xGs — mas o francês, diga-se, foi contratado sem a expectativa de ser o artilheiro da equipe na estreia, e é exatamente o que está sendo: quando o apito final soou no sábado, apenas três jogadores tinham mais gols na Premier League do que ele.

Um ano atrás, os números ofensivos do Liverpool — gols e xG — eram de longe os melhores da liga. Agora, o clube figura por volta do quarto lugar na maioria dos indicadores. Parte disso se reflete também nas assistências: os seis atacantes acumulam 15 passes para gol na temporada atual. Na anterior, Salah sozinho tinha 17, e os demais somavam outros 11.

A queda de Salah, de incontrolável a surpreendentemente apagado, veio mais rápido do que qualquer previsão indicava. No sábado, o Liverpool marcou cinco gols sem que ele participasse com gol ou assistência. Somada às lesões e ao baixo rendimento de Isak, a situação compõe um quadro preocupante. Se Ekitike merece ficar fora das críticas, o veredicto de Slot segue em pé: 26 gols dos atacantes, simplesmente, não é suficiente.

 

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