Texto por Colaborador: A. Rother 01/10/2026 - 18:30

O Manchester City deve apresentar até sexta-feira seu recurso contra o veredicto de culpado emitido por uma comissão independente da Premier League. A defesa do clube pretende apresentar provas para sustentar que o financiamento relacionado aos patrocinadores de Abu Dhabi veio de uma entidade governamental do emirado, e não do proprietário Sheikh Mansour.

Segundo informações do Daily Mail, The Times e Press Association, o City pretende contestar uma das principais conclusões da comissão responsável pelo julgamento. O órgão havia considerado que mais de £ 830 milhões em financiamento ligado aos proprietários foram utilizados para inflar as receitas do clube e ajudá-lo a cumprir as regras financeiras da Premier League e da UEFA.

A defesa apresentada no recurso deverá se concentrar no Tribunal do Príncipe Herdeiro de Abu Dhabi (CPC). O City argumentará que a entidade governamental ofereceu suporte financeiro a empresas patrocinadoras do emirado para que elas cumprissem suas obrigações com o clube, e não que o dinheiro tenha sido enviado pelo Abu Dhabi United Group (ADUG), grupo ligado ao Sheikh Mansour e proprietário do Manchester City.

O CPC é uma entidade governamental independente que apoia iniciativas sociais e também oferece suporte financeiro e outros tipos de assistência a empresas.

Logo após a divulgação da decisão da comissão, o diretor-executivo do Manchester City, Ferran Soriano, afirmou que o processo da Premier League estaria baseado na interpretação de que recursos pessoais do proprietário foram enviados secretamente ao clube por meio de patrocinadores de Abu Dhabi.

“Todo o processo da Premier League contra nós se baseia em uma única acusação falsa: a de que o dinheiro pessoal do dono foi de alguma forma e secretamente investido no clube por meio de patrocinadores de Abu Dhabi. Isso simplesmente não é verdade”, declarou Soriano.

O dirigente também afirmou que o clube apresentou documentos que, em sua avaliação, demonstrariam a origem dos recursos.

“Foram apresentadas provas irrefutáveis à comissão da Premier League que demonstram que isso não poderia ter acontecido e que não aconteceu. Isso inclui extratos bancários, comprovantes de transferências bancárias, depoimentos de testemunhas e tudo o que é necessário para demonstrar categoricamente que o dinheiro não veio do proprietário.”

A comissão independente, porém, rejeitou essa explicação na decisão de 40 páginas publicada na terça-feira. Segundo o documento, a versão envolvendo o CPC seria uma explicação criada posteriormente pelo clube para ocultar a realidade do financiamento.

O Manchester City anunciou imediatamente sua intenção de recorrer e afirmou que a decisão contém “erros materiais claros, de direito, de princípio e de fato”.

Enquanto o processo segue para a fase de recurso, as repercussões do veredicto continuam. Gary Neville, ex-jogador do Manchester United, afirmou que o caso prejudicou a imagem da Premier League.

“Sempre achamos que temos uma integridade enorme, a Premier League, que somos o tipo de liga que define o padrão, e que são outras ligas que têm corrupção, fraude, escândalos de doping, manipulação de resultados, escândalos de arbitragem.”

“Isso está chegando ao nosso país. Isso está chegando à nossa liga. Esta é a maior exportação que temos em nosso país. No momento, estamos sendo arrastados pela lama.”

Jamie Carragher também se manifestou sobre o futuro do clube. Em artigo publicado pelo Daily Telegraph, o ex-zagueiro do Liverpool afirmou que o Sheikh Mansour deveria vender o Manchester City caso o recurso seja rejeitado e a decisão de culpado seja mantida.

“O Manchester City está no fim de sua era em Abu Dhabi. O clube só poderá se curar e se recuperar da vergonha de sua culpa quando os responsáveis reconhecerem que falharam em seu dever e venderem o clube”, escreveu Carragher.

O ex-jogador também criticou a condução do caso e a postura dos dirigentes envolvidos.

“Não há como amenizar a situação. A dimensão da fraude institucional e a falta de cooperação na investigação tornam a posição de todos os executivos da City envolvidos insustentável.”

A avaliação de Carragher, porém, não foi compartilhada pelo primeiro-ministro Andy Burnham. O político afirmou que ficaria preocupado com uma eventual saída do grupo de Abu Dhabi do comando do Manchester City.

“Eles têm sido um parceiro importantíssimo na construção da Manchester moderna. Obviamente, na construção do Manchester City como a potência global que é hoje”, disse Burnham à BBC.

O caso também chamou a atenção do Independent Football Regulator (IFR). David Kogan, presidente do órgão, afirmou que a decisão da Premier League “levanta questões sérias” e lembrou que o regulador possui poderes para avaliar a idoneidade de proprietários e dirigentes de clubes após a conclusão do processo.

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