Texto por Colaborador: A. Rother 18/05/2026 - 02:30

Arne Slot pode ter conquistado a Premier League na temporada passada, mas os dados de seu período no Liverpool contam uma história bem diferente da que o título sugere.

Se os Reds vencerem o Brentford na última rodada, terminarão com 62 pontos — e apenas uma vez nos últimos 14 anos o Liverpool acumulou menos, na temporada em que Klopp assumiu o comando, em 2015/16. A classificação para a Liga dos Campeões, caso se confirme, não virá pelo desempenho, mas pelo bônus de coeficiente da UEFA, que garante uma quinta vaga à Premier League nesta temporada. Sem essa rede de segurança, Slot provavelmente não estaria mais no cargo.

A média histórica da Premier League nos últimos 20 anos diz o seguinte: o quarto colocado termina com 70 pontos em média, o quinto com 63. O Liverpool, com 62 pontos projetados, ficaria abaixo de qualquer um dos dois parâmetros. A pontuação mínima histórica para terminar em quarto foi de 64 pontos — e os Reds não chegam nem a isso.

O colapso do rendimento fica ainda mais evidente quando se observa a evolução por período. Nos primeiros 29 jogos da Premier League, antes da final da Copa da Liga de 2025, Slot mantinha uma média de 2,40 pontos por jogo — ritmo de 91 pontos numa temporada completa. Desde então, nos últimos 46 jogos, a média caiu para 1,59 — ritmo de 63 pontos. No recorte mais recente, os últimos 32 jogos desde 21 de setembro de 2025, a média é de apenas 1,38 — o que equivaleria a 52 pontos em uma temporada cheia, suficientes para o oitavo lugar.

Os cinco primeiros jogos da temporada, todos vencidos, foram o que efetivamente salvaram o Liverpool da mediocridade da zona intermediária da tabela. Sem aquele início, os Reds seriam um time de meio de tabela sem qualquer argumento para falar em Champions.

E o problema não está só no ataque. Se estivesse, o Liverpool não teria sofrido 51 gols na Premier League nesta temporada — o maior número em uma temporada de 38 jogos desde 1914/15, de acordo com Michael Reid, da Opta. Os números subjacentes da equipe, não apenas nas últimas semanas, mas nos últimos 14 meses, sugerem que os Reds podem ter tido um desempenho acima do esperado justamente no período inicial de Slot no cargo.

Isso não significa que o técnico seja incapaz de melhorar. Com 47 anos, Slot ainda está aprendendo a lidar com adversidades que nunca havia enfrentado antes — dentro e fora de campo. Vale lembrar: antes de chegar a Merseyside, ele nunca havia perdido duas partidas consecutivas como treinador. É natural esperar evolução com o tempo.

A imprensa britânica e o próprio Slot insistem que ele seguirá no comando na próxima temporada. O título da temporada passada é o principal argumento. Mas, dados os padrões do Liverpool e os valores investidos, há uma pergunta legítima que a diretoria precisa responder: ele é o homem certo para tirar o Liverpool do atoleiro — e com rapidez?





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