Premier League tem temporada mais equilibrada em 23 anos, mas parte de baixo da tabela sofre mais

Texto por Colaborador: A. Rother 19/08/2026 - 02:30

A temporada passada da Premier League foi, sem dúvida, a mais disputada dos últimos anos, conforme levantamento da BBC.

Os 65 pontos que separaram o campeão Arsenal do lanterna Wolves até ficaram próximos da média histórica para uma temporada de 38 jogos, que é de 63 pontos. O verdadeiro salto de equilíbrio, no entanto, aconteceu no meio da tabela.

Desde que o campeonato passou a ter 20 equipes, em 1995-96, a distância entre o G4 e os três últimos colocados — recorte que normalmente separa quem vai para a Liga dos Campeões de quem cai para o Championship — vinha crescendo temporada após temporada, beneficiando os clubes grandes, que lucravam tanto com as competições europeias quanto com a receita extra de terminar regularmente nas primeiras posições.

Só que, na última edição, essa diferença entre os times ricos e os mais modestos da Premier League despencou: caiu de 44 pontos em 2024-25 para apenas 26 pontos, a menor marca em 23 anos — desde os 25 pontos registrados em 2002-03.

As vagas nas competições europeias também ficaram mais acessíveis do que de costume. O Aston Villa, mesmo somando um ponto a menos do que na temporada anterior — quando havia terminado em sétimo —, subiu duas posições e garantiu classificação direta à Liga dos Campeões.

Já o Liverpool, apesar de ter ficado com a vaga extra da Champions ao terminar em quinto lugar, fez apenas 60 pontos — a pior campanha de uma equipe nessa colocação em 19 anos, número que, na temporada 2024-25, só teria sido suficiente para o nono lugar.

Bournemouth e Sunderland também souberam aproveitar a necessidade de uma pontuação menor do que a habitual para brigar por vaga europeia: garantiram classificação inédita na história do clube e após mais de meio século sem repetir o feito, respectivamente.

No entanto, as equipes da metade inferior da tabela também terminaram com mais pontos do que em anos anteriores, o que torna injusto julgá-las apenas pela posição final. O Everton, por exemplo, dificilmente ficou satisfeito com o 13º lugar, mas essa foi a maior pontuação já obtida por um time nessa colocação desde que o próprio clube havia feito o mesmo na virada do milênio.

Os quatro times logo abaixo do Everton também bateram suas melhores marcas de pontos em 23 anos de Premier League, e o West Ham pode se considerar azarado: caiu com a maior pontuação já registrada por um time na 18ª posição desde a temporada 2010-11.

No total, 13 das 20 equipes terminaram a última temporada com pontuação entre 40 e 60 — o maior número de times nessa faixa desde 2003-04, quando também foram 13.

Fica a dúvida se a Premier League foi tão equilibrada em 2025-26 porque os times menores melhoraram de qualidade ou porque os grandes pioraram. Não é fácil cravar uma resposta.

Levando em conta a inteligência de mercado de clubes como Brighton, Brentford e Bournemouth, o volume de dinheiro que hoje permite até equipes da parte de baixo da tabela contratarem craques estrangeiros, e o atual domínio inglês na Liga Europa e na Liga Conferência, tudo indica que a primeira hipótese é a mais provável.

Por outro lado, o fato de o Sunderland, campeão dos playoffs de acesso, ter terminado à frente de 13 equipes logo na temporada de retorno à elite sugere que talvez o campeonato não estivesse tão forte quanto se imaginava.

O que se sabe com certeza é que, seja por queda de rendimento ou por evolução dos rivais, quatro equipes que haviam terminado entre as sete primeiras em 2024-25 — o campeão Liverpool, Chelsea, Newcastle e Nottingham Forest — somaram, juntas, 79 pontos a menos na última temporada.

A retração do Forest até era, de certa forma, esperada, considerando o surpreendente sétimo lugar de 2024-25 e a campanha até as semifinais da Liga Europa na temporada seguinte. Já as quedas dos outros três clubes pegaram muito mais gente de surpresa.

Sunderland e Leeds, por sua vez, romperam a tendência recente de recém-promovidos que sofrem para competir: somaram, juntos, 64 pontos a mais do que as equipes que substituíram na elite.

Isso deixa a próxima temporada com uma configuração pouco usual, já que Bournemouth, Brighton e Sunderland vão disputar torneios europeus, enquanto Chelsea, Tottenham e Newcastle ficarão de fora. Resta saber se 2026-27 marcará o retorno a uma ordem mais tradicional ou se o futebol inglês está mesmo entrando em uma nova era de forte competitividade.

O preço do maior equilíbrio

Ainda assim, existe um ponto em que a Premier League ficou menos competitiva — provavelmente como reflexo direto do maior equilíbrio geral — e que é justamente a parte de baixo da tabela.

Normalmente já se espera que uma equipe se destaque negativamente bem antes do fim do campeonato, mas atualmente são dois os times nessa situação.

A média histórica de pontos do penúltimo colocado, considerando uma temporada de 38 jogos, é de 31 — número que costuma indicar uma briga direta contra o rebaixamento ao longo de praticamente toda a temporada, até a confirmação da queda.

Desde que a Premier League passou a ter 20 clubes, em 1995-96, apenas dois times que terminaram em 19º lugar não chegaram aos 30 pontos nas primeiras 21 temporadas do novo formato. Já na última década, sete dos dez times nessa posição ficaram abaixo dessa marca.

Nas duas últimas temporadas, inclusive, tanto o Ipswich quanto o Burnley — ambos recém-promovidos — terminaram na penúltima colocação com apenas 22 pontos, a menor pontuação já registrada para essa posição.

As lutas contra o rebaixamento hoje se resumem, em boa parte, a uma disputa isolada pela última das três vagas de queda, já que as outras duas costumam ser definidas bem antes da rodada final — normalmente envolvendo times recém-promovidos.

Inspirados justamente pela permanência de Sunderland e Leeds na elite, os recém-promovidos Coventry City, Ipswich Town e Hull City torcem para repetir o feito e mostrar que também têm o que é preciso para acompanhar o novo nível de competitividade da Premier League.

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