Texto por Colaborador: A. Rother 18/04/2026 - 16:53

Jeremie Frimpong não esconde o espanto. Ao longo de toda a sua carreira antes do Liverpool, o lateral holandês havia sofrido apenas uma lesão significativa — uma cirurgia no tornozelo após uma falta dura em 2022, algo que, como ele mesmo diz, estava fora do seu controle. Desde que chegou a Anfield no último verão, porém, ele acumulou três lesões musculares e perdeu 25 jogos pelo clube e pela seleção.

"Me deparei com muitas lesões. Normalmente não me machuco. A única vez que fiquei afastado antes foi por causa de uma cirurgia após uma falta violenta. Não havia nada que eu pudesse fazer quanto a isso. Mas isso acontecer comigo, lesões nos isquiotibiais? Nunca aconteceu na minha carreira. Tive três lesões e, por cima disso, o time não está indo tão bem quanto deveria", disse Frimpong ao Telegraph.

As três lesões aconteceram contra Bournemouth (agosto), Eintracht Frankfurt (outubro) e Qarabag (janeiro) — esta última inicialmente divulgada como problema na virilha. Para um jogador cuja maior qualidade é a velocidade explosiva, a recorrência de lesões musculares é especialmente preocupante.

Além do físico, Frimpong falou sobre o impacto emocional de uma temporada difícil. "Se tivéssemos vencido a FA Cup ou a Champions League, não teria sido tão ruim. Como lidei com isso? Tenho minha família, minha namorada. Temos que entender que somos humanos. Temos sentimentos também. Quando coisas ruins acontecem, a gente pensa. No momento em que você chega em casa, você pensa. Você tem que fazer algo para não mergulhar nos seus próprios pensamentos. Então você precisa da sua família, das pessoas que ama, e foi isso que me ajudou nos momentos difíceis desta temporada. Não vou mentir, foi difícil, mas quando estava para baixo tinha pessoas comigo que me faziam estar presente. Elas me distraíam para que eu não ficasse apenas olhando para o nada."

A questão levanta um debate mais amplo sobre a preparação física no clube. Na era Klopp, a intensidade era um pilar — mas também um fardo. O ex-preparador físico do Liverpool Jordan Fairclough explicou à The Redmen TV como funcionava o modelo anterior e o que mudou com a chegada de Arne Slot. "A era Jurgen tinha alta intensidade. Era implacável em termos de demandas de treino, rotinas, horários. Ganhamos muitos títulos, trabalho feito, mas era pesado. Houve muitos períodos ao longo desses anos em que eu, outros treinadores e jogadores ficamos 10, 12, 14, 15, 18 dias seguidos sem um dia de folga por causa das exigências dos jogos. A intensidade daquela era era única."

Fairclough revelou que Slot adotou uma abordagem diferente desde o início. "Na pré-temporada com o Arne, ele era ainda mais receptivo aos dados do que o Jurgen era. Tínhamos iPads à beira do campo com as distâncias e velocidades que os jogadores já haviam percorrido na sessão. Uma coisa que fizemos diferente com o Arne foi usar esses dados em tempo real para retirar jogadores dos treinos quando já tinham 'feito o suficiente'. Isso funcionou — naquela pré-temporada tivemos uma ou duas lesões musculares, contra três ou quatro em anos anteriores."

Ainda assim, a sequência de lesões de Frimpong nesta temporada levanta dúvidas sobre se a menor intensidade nos treinos pode estar tendo um efeito oposto — deixando os jogadores menos preparados fisicamente para as demandas dos jogos. Sem acesso completo aos dados, é difícil apontar responsáveis. Mas os padrões que surgem ao longo da temporada devem indicar se o caso de Frimpong é apenas azar ou parte de um problema mais amplo.





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