Texto por Colaborador: A. Rother 22/06/2026 - 03:00

A trajetória de Hugo Ekitike no Liverpool deveria estar entrando em uma nova fase neste momento. Em vez disso, o atacante francês segue em um período de espera incômodo, entre o otimismo em torno de seu retorno e a realidade do tratamento médico.

Na temporada passada, Ekitike foi uma das contratações mais sólidas do clube, chamando atenção pela movimentação ágil, pela inteligência nas jogadas coletivas e por um nível de consistência que o tornava mais uma peça confiável do que uma aposta. Esse cenário mudou com a lesão sofrida diante do PSG, pela Liga dos Campeões, que encerrou sua temporada de forma precoce e também tirou o jogador da lista da seleção francesa para a Copa do Mundo de 2026.

Embora existam relatos de que o atacante projeta retornar aos gramados no Boxing Day, em 26 de dezembro, a atualização mais recente sobre seu quadro reforça por que o Liverpool não pode montar o planejamento do início de temporada com base nessa data.

O assunto foi tratado diretamente pelo jornalista Paul Gorst no podcast The Blood Red. Segundo ele, a necessidade de reforçar o ataque ficou ainda mais evidente após a lesão de longa duração de Ekitike: "Acho que também houve um consenso de que, quando Ekitike sofreu sua lesão de longa duração, talvez fosse necessário reforçar um pouco mais o elenco no ataque, porque houve uma notícia esta semana de que ele pretende retornar no Boxing Day (26 de dezembro), o que é estranhamente específico, mas ele ainda está usando muletas no momento."

Gorst completou destacando o impacto direto na escalação do time nos próximos meses: "Então o Liverpool não vai poder contar com ele por alguns meses. Por isso, eles precisavam de alguém além do óbvio substituto de Mo Salah."

Esse é justamente o ponto central da questão: uma data projetada não representa garantia nenhuma. O retorno no Boxing Day pode até ser um objetivo internamente discutido, mas um jogador que segue dependendo de muletas em pleno mês de junho está longe de ser tratado como solução imediata pelo clube.

Para uma equipe que busca reconstruir seu ataque após a saída de Mohamed Salah, a lesão de Ekitike representa um problema concreto: tira de cena uma opção de altíssimo nível, reduz as alternativas de rodízio e aumenta a urgência do Liverpool no mercado de transferências.

Nesse contexto, a contratação de Victor Muñoz ajuda a amenizar parte do problema. Utilizado pelo Osasuna tanto como segundo atacante quanto centroavante, o espanhol chega trazendo versatilidade táctica, podendo atuar como opção de reserva para Alexander Isak ou liberar Cody Gakpo para jogar com mais frequência centralizado no ataque.

O interesse persistente do Liverpool em Yan Diomande segue a mesma lógica. Capaz de jogar bem nas duas pontas — característica que já demonstrou em boas atuações tanto à esquerda quanto à direita pelo RB Leipzig —, o jovem se torna um nome ainda mais valioso justamente pela ausência de Ekitike.

A profundidade do elenco ofensivo, portanto, passa a ser o tema central do verão europeu do Liverpool. Isso não significa que o futuro de Ekitike no clube esteja comprometido — sua primeira temporada já deixou claro que ele tem talento, atitude e utilidade tática suficientes. A dúvida não está na qualidade do jogador, mas em sua disponibilidade.

Para o Liverpool, a atualização sobre a lesão não muda a visão de longo prazo sobre o atacante, mas certamente altera os planos para a janela de verão. Se o retorno acontecer perto do Boxing Day, será um ganho extra. Se demorar além disso, o clube já terá se planejado para essa possibilidade.

Afinal, uma briga pelo título não pode ser construída apenas sobre muletas e esperança.





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