Texto por Colaborador: A. Rother 19/06/2026 - 04:00

O primeiro elemento que chama atenção no perfil de Victor Munoz é a capacidade de conduzir a bola para frente. Na última temporada, o ponta registrou 148 conduções progressivas — média de 5,0 por 90 minutos —, a grande maioria pela esquerda, cortando em direção ao terço final. A lógica é simples: receber, girar e atacar. Munoz rende mais no futebol vertical, com aceleração, variações bruscas de ritmo e habilidade para transportar a bola por múltiplas zonas. Para o sistema de Iraola, que depende fortemente de transições, o perfil se encaixa bem. Em termos de características, há semelhanças com Luis Díaz: velocidade, agressividade e geração constante de perigo nas situações de um contra um.

Mas é nos detalhes que a análise fica mais interessante.

O mapa de passes do jogador revela que ainda há espaço considerável para crescimento quando o espaço é limitado. Munoz registrou apenas 42 passes progressivos na temporada — 1,4 por 90 minutos —, o que indica que, quando não consegue atacar campo aberto, nem sempre tem as ferramentas para resolver as situações pela distribuição. Ele não é o tipo de jogador que desbloqueará marcações organizadas com a qualidade do passe, controlará o tempo das jogadas ou criará vantagens por meio de combinações.

A finalização é outra área a desenvolver. Em 82 chutes — excluindo pênaltis —, marcou apenas 6 gols. O xG por chute sem pênalti foi de 0,07, com distância média de 17,9 metros e 72% das tentativas pelo pé direito. Munoz não tem medo de chutar e frequentemente se coloca em posições promissoras, mas ainda não converteu volume em eficiência. Vale o contexto: ele foi responsável por cerca de 20% de todos os chutes do Osasuna na temporada, o que evidencia o peso de seu papel ofensivo.

Defensivamente, o cenário é parecido. Noventa e seis desarmes, 22 deslizamentos e 29 interceptações em 29,6 partidas completas mostram que Munoz não é passivo sem a bola — ele trabalha e disputa. No entanto, comparado a outros meias-atacantes e pontas, a qualidade dessas ações defensivas está no percentil 29. O esforço e o volume estão presentes, mas a consistência e a eficácia ainda precisam evoluir.

Também será interessante observar a interação com Kerkez. O lateral húngaro teve momentos na última temporada em que a coordenação com companheiros na faixa não foi ideal — e construir essa sintonia levará tempo.

No geral, Munoz é um jogador interessante com alto potencial, mas não é um produto acabado no nível mais alto. Se for encarado como um ponta de rotação que acrescenta velocidade, verticalidade e ameaça nas transições, a contratação faz muito sentido. Esperar que ele imediatamente se torne um ponta completo de Liga dos Campeões, capaz de influenciar todas as fases do jogo, provavelmente seria elevar demais as expectativas neste momento.





Categorias

Ver todas categorias

Iraola é o nome certo para assumir o Liverpool?

Sim

Votar

Não

Votar

197 pessoas já votaram

Classificação
Calendário