Texto por Colaborador: Redação 11/02/2026 - 02:30

A fragilidade do Liverpool nos momentos decisivos das partidas atingiu proporções históricas. O gol sofrido diante do Manchester City nos instantes finais colocou os Reds em um patamar indesejável: a equipe alcançou o recorde da Premier League de tentos concedidos que definiram derrotas nos acréscimos.

Mesmo faltando 13 rodadas para o encerramento da competição, a equipe comandada por Arne Slot já registra quatro bolas na rede que resultaram em reveses durante o tempo adicional. A marca iguala números negativos de clubes como Watford (temporadas 2017/18 e 2021/22), West Ham (2021/22) e Southampton (2024/25), conforme levantamento da Opta.

O cenário se agrava quando observamos outros tropeços tardios. Contra Leeds e Fulham, ambos como visitante, o time viu vitórias se transformarem em empates após sofrer gols nos acréscimos, ampliando o prejuízo na tabela.

A conta é amarga: oito pontos desperdiçados exclusivamente por tentos encaixados nos minutos derradeiros. Esse cálculo nem considera o gol de Harry Maguire aos 84 minutos na derrota para o Manchester United, em Anfield, no início da temporada.

Caso esses oito pontos estivessem no bolso dos Reds, o clube dividiria a terceira posição com o Aston Villa, evidenciando o quanto essa vulnerabilidade tem custado caro na briga por posições nobres.

A raiz do problema

O empate sofrido contra o Manchester City aos 84 minutos, com Bernardo Silva balançando as redes, estabeleceu outro recorde negativo: nunca na história da Premier League o Liverpool havia estado em vantagem tão perto do apito final em Anfield e acabado derrotado.

Seis ocasiões distintas de pontos perdidos após gols tardios não configuram mero azar. A incapacidade de definir os confrontos com antecedência deixa a equipe exposta a reviravoltas dramáticas nos instantes conclusivos.

Os números comprovam: apenas cinco triunfos no campeonato foram conquistados com vantagem superior a um gol durante toda a temporada. A falha em ampliar o placar contra o City, quando tinha 1 a 0 no marcador, ilustra perfeitamente essa dificuldade em garantir resultados confortáveis.

A última vez que os comandados de Slot converteram uma liderança de 2 a 0 em vitória por 3 a 0 ou mais foi na partida de volta da semifinal da Copa da Liga contra o Tottenham, em 6 de fevereiro de 2025. A exceção ficou por conta do triunfo por 3 a 0 em Marselha.

O desgaste como protagonista

A falha em controlar as partidas de maneira convincente obriga o setor defensivo a trabalhar incessantemente durante os 90 minutos, gerando fadiga que compromete a concentração nas etapas decisivas.

Dados do FotMob revelam que o Liverpool permitiu 10 finalizações adversárias no primeiro tempo contra o Manchester City, a maior quantidade já registrada em um jogo caseiro pela Premier League. Anteriormente, os oito escanteios concedidos ao Newcastle no período inicial, em 31 de janeiro, já haviam estabelecido outro recorde negativo em Anfield desde abril de 2005, quando o Bolton de Sam Allardyce conseguiu feito semelhante.

A pressão constante dos rivais provoca esgotamento físico e mental, com a atenção dos jogadores diminuindo conforme os ponteiros avançam.

Ibrahima Konaté, protagonista de falhas individuais ao longo da temporada, vem sendo forçado a executar mais desarmes, interceptações e bloqueios por 90 minutos, segundo informações do FotMob.

As recentes contratações também demonstram limitações evidentes para sustentar o ritmo intenso durante toda a partida. Jogadores como Florian Wirtz e Hugo Ekitike apresentam queda notável na eficiência da marcação alta em comparação aos seus antecessores.

Quando combinamos essas deficiências com momentos inexplicáveis de loucura de peças importantes - como o pênalti cometido por Alisson no último domingo - o resultado é uma equipe incapaz de administrar suas vantagens até o apito final.

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