Texto por Colaborador: A. Rother 19/04/2026 - 01:30

Poucos jogadores têm currículo para falar com tanta propriedade sobre o futebol europeu quanto Thiago Alcântara. O espanhol passou por Barcelona, Bayern de Munique e Liverpool — e foi sobre esse último clube que ele fez uma das análises mais interessantes, no podcast That Peter Crouch Podcast.

Thiago, que chegou ao Liverpool em 2020 por £25 milhões numa contratação considerada um grande feito à época, explicou o que torna o clube de Anfield diferente de tudo que já viveu antes. "Minhas raízes são brasileiras, então há um tempo vim para a Europa e joguei pelo Barcelona, pelo Bayern, na Espanha, na Alemanha. Você tem essa cultura europeia da Espanha com táticas e transições, e de repente aqui, não na Inglaterra, mas em Liverpool, você tem essa mistura entre o estilo inglês — os duelos, o ritmo, os confrontos físicos — e o comportamento sul-americano com a bola, que é quase uma religião aqui em Liverpool. Então encontrei essa mistura aqui, e foi por isso que senti que era o lugar certo para mim."

Atualmente assistente técnico no Barcelona, Thiago também falou sobre suas ambições na carreira de treinador e aproveitou para oferecer uma explicação para o desempenho aquém dos clubes ingleses nas competições europeias. "Acho que sou mais do estilo de ensinar, de treinar, e esses aspectos táticos são para mim algo a passar para os outros. Mas temos que incentivar os jovens jogadores a aproveitarem o jogo e se comprometerem com ele, e você tem que jogar nesse estado de fluxo. A Espanha é muito tática — você tem que fazer isso, aquilo e aquilo outro — e os jogadores estão perdendo a liberdade, eu acho."

Quando Peter Crouch expandiu a questão, perguntando se os jogadores da Premier League estariam faltando com responsabilidade individual em campo, Thiago concordou e foi além. "Acho que em momentos muito específicos, táticas ou bolas paradas são ótimas. Mas no momento dos grandes jogos, quando você enfrenta os melhores jogadores do mundo, eles são os melhores porque no um contra um eles te comem. Quando você perde isso de um jogador — aquela criança natural que quer encarar alguém e vencê-lo — é aí que começa o problema. Estamos perdendo isso, e acho que é por isso que alguns grandes times têm dificuldades nos quartos, nas semifinais ou na final da Champions League, porque perdem essas coisas no momento decisivo."

Os números confirmam a avaliação. Nos últimos 13 anos, apenas sete dos 26 lugares disponíveis nas finais da Liga dos Campeões foram ocupados por clubes ingleses. Nesta temporada, Liverpool, Manchester City, Newcastle e Chelsea foram eliminados antes das quartas de final, restando apenas o Arsenal, que avançou às semifinais após superar o Sporting com dificuldade.





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