Texto por Colaborador: A. Rother 06/11/2026 - 18:30

Andoni Iraola quer um Liverpool mais agressivo nas proximidades da área adversária. Insatisfeito com a qualidade das oportunidades construídas pela equipe, o treinador tem cobrado maior presença de jogadores no setor ofensivo e acredita que os Reds precisam assumir mais riscos para transformar o volume de ataques em chances claras de gol.

Os números ajudam a explicar a preocupação do espanhol. O Liverpool criou apenas 12 grandes oportunidades na Premier League, o segundo pior registro da competição até o momento. Além disso, ocupa a décima posição em gols esperados (13,2), apesar do investimento superior a 400 milhões de libras realizado na última janela de transferências para reforçar o setor ofensivo.

Iraola também destacou a diferença entre o desempenho da equipe na Liga dos Campeões e no Campeonato Inglês. Enquanto os jogos europeus têm apresentado um número elevado de gols marcados e sofridos, na competição nacional os Reds encontram mais dificuldades para balançar as redes, embora também tenham reduzido a quantidade de gols concedidos.

"Acho que tem sido uma temporada estranha, em termos de Liga dos Campeões. Marcamos muitos gols e sofremos muitos. Na Premier League, estamos marcando menos gols e sofrendo menos. Obviamente, queremos marcar muitos gols e sofrer menos, então esse é o desafio que temos", afirmou.

Uma das principais orientações do treinador é aumentar a quantidade de jogadores que chegam à área adversária. Iraola entende que o Liverpool, em determinadas situações, prioriza excessivamente a manutenção da posse de bola e acaba deixando de aproveitar oportunidades para atacar com mais intensidade.

Como exemplo, mencionou o confronto recente com o Fenerbahçe, no qual considerou que sua equipe controlou demais as ações, sem transformar esse domínio em maior perigo ofensivo.

"Às vezes estamos com a posse de bola, estamos em boas posições, chegando perto do gol, mas às vezes temos que colocar mais jogadores dentro da área, chegar com mais atletas", explicou.

O técnico reconhece que essa mudança pode representar uma perda de controle e aumentar a exposição defensiva em caso de perda da bola. Ainda assim, considera que os benefícios ofensivos compensam o risco, especialmente diante das dificuldades para produzir oportunidades de maior qualidade.

"Sim, isso vai nos tirar um pouco do controle, mas nos dará mais poder de ataque quando chegarmos à área. E acho que, especialmente contra o Arsenal, a forma como atacamos a área precisa ser melhor", acrescentou.

Outro fator que interfere na construção ofensiva é a necessidade de buscar resultados quando o Liverpool sai atrás no placar. A equipe sofreu o primeiro gol em oito de seus 15 compromissos, cenário que frequentemente obriga os jogadores a atacar adversários mais fechados e com maior proteção defensiva.

Iraola ressaltou que os números de volume ofensivo dos Reds não são baixos. O time está entre aqueles que mais alcançam o último terço do campo, além de apresentar números elevados de finalizações e cruzamentos. O problema, segundo o treinador, está na efetividade dessas ações e na qualidade das oportunidades produzidas.

"Somos uma das equipes que chega mais ao último terço do campo, inclusive em termos de volume de finalizações e cruzamentos. Se analisarmos o nível de qualidade de cada oportunidade, porque também temos muitas, o nível de qualidade é baixo", reconheceu.

O espanhol também apontou que, quando a equipe precisa correr atrás do resultado, acaba atacando em condições menos favoráveis, com muitos adversários posicionados defensivamente. Isso dificulta a criação de espaços e reduz as possibilidades de construir situações realmente perigosas.

"Às vezes, especialmente quando começamos a perder jogos, atacamos contra muitos jogadores em posição desfavorável. Então, às vezes, a qualidade das oportunidades que você tem com jogadores ao seu redor é sempre menor", analisou.

Mesmo diante desse cenário, Iraola não pretende abrir mão de uma postura mais ofensiva. Para ele, o Liverpool precisa aumentar a quantidade de vezes que consegue colocar a bola e seus jogadores dentro da área, ainda que isso implique abrir mão de parte da segurança na circulação.

"Acho que é por isso que eu disse que às vezes, mesmo que percamos um pouco do controle, temos que fazer isso. Há uma recompensa nisso", concluiu.

Com pouco tempo disponível para trabalhar antes da viagem para enfrentar o Crystal Palace, resta saber se o treinador conseguirá implementar as mudanças desejadas. A expectativa é que os reforços contratados por valores elevados também consigam contribuir para melhorar a produção ofensiva e transformar o volume de jogo em resultados mais expressivos.

 

 

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