Texto por Colaborador: A. Rother 16/07/2026 - 03:30

O ex-diretor esportivo do Liverpool voltou ao clube em 2024, dentro do processo de reformulação que sucedeu a era Jurgen Klopp. Em sua primeira passagem pelo cargo, Michael Edwards havia sido responsável por trazer nomes como Mohamed Salah, Virgil van Dijk, Alisson Becker e Roberto Firmino — contratações que pavimentaram o período de sucesso inédito vivido sob Klopp, antes de sua própria saída, em 2022.

Uma das primeiras tarefas de Edwards ao retornar ao clube foi escolher um novo diretor esportivo. A escolha recaiu sobre Richard Hughes, antigo diretor técnico do Bournemouth e confidente de longa data, que assumiu o posto e trouxe resultados praticamente imediatos.

Hughes esteve à frente de gastos de £450 milhões

Hughes teve papel decisivo na contratação de Arne Slot, técnico que já em sua primeira temporada no comando conquistou o título da Premier League.

A partir daí, o dirigente escocês ficou responsável por conduzir uma reformulação profunda do elenco na janela de verão de 2025. Cerca de £180 milhões foram arrecadados em vendas, incluindo nomes queridos pela torcida, como Caoimhin Kelleher e Luis Díaz. Do outro lado, Hughes promoveu uma onda recorde de investimentos, somando £450 milhões em contratações.

O dirigente chegou a quebrar o recorde de transferência do futebol britânico por duas vezes, nas negociações por Florian Wirtz e Alexander Isak, além de destinar valores altos a outros nomes, como Giorgi Mamardashvili, Jeremie Frimpong, Milos Kerkez e Hugo Ekitike.

Esse volume de investimentos, no entanto, tem gerado questionamentos sobre o legado deixado por Hughes, cujo trabalho não foi bem recebido internamente. Aos 46 anos, o dirigente já cumpre aviso prévio, mesmo com contrato originalmente válido até 2027, e a expectativa é de que se junte ao Al Hilal assim que a atual janela de transferências se encerrar, fechando uma passagem de resultados irregulares no comando da área de futebol.

O tom com que seu trabalho vem sendo avaliado fica claro em reportagem do jornalista James Pearce, do The Athletic. Ao contrário da saída de Edwards — cujas decisões são vistas como acertadas, com a partida muito mais ligada à dificuldade de estruturar uma segunda equipe dentro de um grupo multiclubes —, a avaliação sobre o período de Hughes é bem menos favorável.

"Ele deixa o legado de ter apresentado um excelente histórico de transferências trabalhando ao lado de Klopp e, em seguida, o mérito de ter nomeado o diretor esportivo que recrutou o sucessor de Klopp, Arne Slot, que prontamente conquistou um título da Premier League em sua primeira temporada", diz o relatório sobre Edwards.

"O histórico de transferências de Hughes no Liverpool, em resposta a esse sucesso, não é atualmente visto de forma tão positiva."

Com o tempo, alguns desses reforços ainda podem evoluir, mas os £116 milhões investidos em Wirtz e os £125 milhões pagos por Isak seguem difíceis de justificar neste momento. A esse cenário se soma a perda de Trent Alexander-Arnold por valor bem abaixo do de mercado, após a não renovação de seu vínculo, e a saída sem custo de Ibrahima Konaté neste verão — fatores que ajudam a explicar por que a gestão de Hughes não é vista com bons olhos.

Houve ainda a renovação frustrada de Mohamed Salah, cujo contrato — avaliado em £400 mil por semana — acabou sendo encerrado um ano antes do previsto. No verão passado, tudo indicava que o Liverpool tinha total controle sobre seu destino na Premier League, antes dessa sequência de gastos que hoje é vista com ressalvas.





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