Texto por Colaborador: A. Rother 30/09/2026 - 17:55

A decisão que considerou o Manchester City culpado por violações das regras financeiras da Premier League levantou novas questões sobre o futuro do clube. David Kogan, presidente do Regulador Independente do Futebol (IFR), afirmou que o caso pode levar a uma análise sobre a idoneidade de proprietários, diretores e executivos caso a decisão seja mantida após os recursos.

Uma comissão independente concluiu que o Manchester City tinha a intenção de contornar as regras da Premier League ao inflar receitas e ocultar custos durante um período de nove temporadas. Segundo a decisão, os esquemas envolveram mais de £ 900 milhões.

Kogan ressaltou que o processo ainda não terminou, já que o Manchester City pretende recorrer da decisão. O clube classificou o veredicto como "inseguro" e afirmou que existem erros de direito, princípio e fato na conclusão da comissão.

"A decisão da comissão independente levanta questões sérias", afirmou Kogan.

O presidente do IFR explicou que o órgão possui poderes para avaliar a idoneidade de proprietários, diretores e executivos de clubes quando houver evidências claras de irregularidades individuais.

"O IFR tem poderes para avaliar a idoneidade de proprietários, diretores e executivos, e usaremos esses poderes quando apropriado, no interesse de proteger a sustentabilidade, a honestidade e a integridade do futebol inglês, onde houver evidências claras de irregularidades por parte de indivíduos", declarou.

Kogan também destacou que as conclusões da Premier League podem ser consideradas pelo regulador, mas ressaltou que o processo entre o Manchester City e a liga ainda está em andamento.

"Isso inclui levar em consideração as conclusões das ligas. No entanto, como o processo entre o Manchester City e a Premier League ainda está em andamento, aguardaremos novos desdobramentos."

"Esperamos que a situação seja resolvida rapidamente pelo bem dos fãs. Por ora, não temos mais nada a declarar", completou.

Nos casos considerados mais extremos, o IFR possui poderes legais para determinar a saída de diretores e gestores dos conselhos dos clubes e também obrigar proprietários a vender suas participações.

Guardiola se manifesta em defesa do City

O ex-técnico do Manchester City, Pep Guardiola, também se manifestou após a decisão. O treinador, que conquistou seis títulos da Premier League pelo clube antes de deixar o cargo ao final da última temporada, publicou uma mensagem de apoio aos dirigentes, jogadores, comissão técnica e torcedores.

"Quero que todos os torcedores do @ManCity saibam que estou aqui; mais do que nunca. Estou, sempre estive e sempre estarei apoiando meu clube, meu dono, meu presidente, Ferran, os jogadores, a comissão técnica, Enzo e vocês, nossos torcedores únicos", escreveu Guardiola na conta Pep Team no X.

"Para que fique bem claro: vamos superar isso juntos. Amo todos vocês", acrescentou.

A comissão independente concluiu que o Manchester City utilizou mecanismos para inflar receitas e ocultar custos em valores superiores a £ 900 milhões, com o objetivo de evitar violações das regras da Premier League e da UEFA.

Entre as conclusões está a existência de um "esquema de financiamento disfarçado". Segundo a decisão, empresas de Abu Dhabi pagavam apenas uma parte dos valores registrados nos livros do clube, enquanto o restante era quitado pelo Abu Dhabi United Group (ADUG), empresa por meio da qual Sheikh Mansour é proprietário do Manchester City.

O esquema teria inflado as receitas do clube em mais de £ 830 milhões durante as nove temporadas entre 2009/10 e 2017/18. A comissão também concluiu que o City superestimou em quase £ 74 milhões as receitas relacionadas aos direitos de imagem e subestimou em quase £ 17 milhões suas obrigações referentes a contratos de funcionários.

Além das questões financeiras, o Manchester City foi considerado culpado de realizar "esforços concertados" para "impedir e frustrar" a investigação conduzida pela Premier League.

O clube já confirmou que pretende recorrer da decisão. O diretor executivo Ferran Soriano afirmou aos funcionários, em uma mensagem de vídeo, que a comissão teria aceitado a "teoria da conspiração" apresentada pela Premier League.

Enquanto o processo continua, outros clubes da Premier League também pressionam pela conclusão do caso. Segundo o The Times, equipes da primeira divisão procuraram a liga para pedir que o processo seja encerrado antes do fim da temporada.

A mesma comissão responsável pela decisão deverá analisar agora quais sanções podem ser aplicadas ao Manchester City. Entre as possibilidades estão punições esportivas significativas, como perda de pontos ou até mesmo expulsão da competição.

Uma eventual punição desse tamanho representaria uma consequência importante para um clube que conquistou oito títulos da Premier League desde a aquisição por Sheikh Mansour, em 2008.

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