Texto por Colaborador: A. Rother 11/07/2026 - 02:30

Michael Edwards está de saída do cargo de CEO de futebol do Fenway Sports Group. A saída, amplamente noticiada nesta sexta-feira, é descrita por James Pearce, do The Athletic, como uma questão de "quando, e não de se" — e a frustração do executivo com as mudanças em sua função é apontada como o principal motivo.

Quando Edwards retornou ao Liverpool em 2024, após bastante repercussão, o projeto central que o atraiu era a construção de um modelo multiclube sob a estrutura do FSG. Junto ao diretor técnico Julian Ward — anteriormente seu assistente na diretoria esportiva do Liverpool —, ele chegou a analisar 25 clubes diferentes, principalmente na França, Espanha e Portugal, com avanços nas tratativas por Mônaco, Getafe, Bordeaux e Málaga. O FSG, porém, desistiu do processo. "O preço foi um fator, mas outro foi o endurecimento das regras da UEFA, que impedia dois clubes com a mesma estrutura de propriedade de competirem na mesma competição europeia", explica Pearce.

Com os planos de expansão arquivados — conforme noticiado em março deste ano —, a função de Edwards mudou radicalmente. "Ele acreditava que embarcar em um projeto envolvendo vários clubes era fundamental para garantir que o Liverpool competisse em igualdade de condições com seus rivais", acrescenta o jornalista. Paul Joyce, do The Times, reforça o raciocínio: "sem o novo desafio que o atraiu de volta ao grupo inicialmente, Edwards não estava motivado simplesmente por manter um cargo e receber um salário."

A saída de Edwards aumenta a instabilidade na cúpula do clube. O presidente do FSG, Mike Gordon, deve assumir as funções do executivo na liderança das operações de futebol, posicionando-se acima do diretor esportivo Richard Hughes — que também deve deixar o cargo em breve, em meio a negociações com o Al-Hilal. Com as duas saídas iminentes, o Liverpool precisará em breve nomear um novo responsável pelas contratações. A promoção interna de David Woodfine, atual diretor esportivo adjunto, é uma das possibilidades.

Está longe de ser um cenário tranquilo para o FSG. Em apenas dois anos, o Liverpool acumulou a saída de Edwards da diretoria esportiva (2022), a curta passagem de Julian Ward como substituto, o período de Jorg Schmadtke como interino, a saída de Klopp e a reestruturação que resultou no retorno de Edwards como CEO e na contratação de Hughes. Agora, mais uma mudança na hierarquia está em curso — e o clube segue sem uma estrutura de liderança estável.

O FSG não descartou totalmente a compra de outro clube no futuro, mas não há planos imediatos para isso, e o foco em futebol é hoje exclusivamente o Liverpool.





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