Texto por Colaborador: Redação 28/02/2026 - 01:00

A condução do processo envolvendo o Manchester City tem sido "prejudicial" para a imagem da Premier League. A avaliação é de Javier Tebas, presidente da LaLiga, que criticou abertamente a forma como o caso vem sendo tratado pelo futebol inglês durante uma coletiva de imprensa na cúpula de negócios do futebol do Financial Times, em Londres.

O clube foi acusado em fevereiro de 2023 de 115 supostas violações das regras financeiras da competição — acusações que o Manchester City sempre negou com veemência. As irregularidades apontadas pela Premier League abrangem desde a apresentação de relatórios financeiros imprecisos entre 2009 e 2018 (54 acusações) e a não cooperação com investigações entre 2018 e 2023 (35 acusações), até a falha na divulgação integral dos salários de jogadores e comissões técnicas entre 2009 e 2016 (14 acusações). Completam a lista sete acusações de violações às regras de sustentabilidade financeira entre 2015 e 2018 e cinco por descumprimento das normas do fair play financeiro da UEFA. Mais de três anos depois, ainda não há uma decisão pública, mesmo após a comissão independente responsável pelo julgamento ter concluído as audiências entre setembro e dezembro de 2024.

Para Tebas, o problema não é apenas a demora em si, mas a "incerteza" gerada pela ausência de um desfecho, num período em que outros clubes foram acusados e punidos pelo descumprimento das mesmas regras — e dentro de prazos muito menores. O dirigente afirmou entender que se trata de "uma falha de governança" e ressaltou que a situação está sendo acompanhada de perto por outros clubes, que não compreendem por que o City segue sem punição enquanto rivais já foram multados ou tiveram pontos deduzidos. Na avaliação de Tebas, esse cenário enfraquece a instituição e gera arbitrariedade onde deveria haver certeza jurídica: para ele, os envolvidos precisam ter confiança de que as regras são aplicadas de forma igual a todos.

O City sempre negou qualquer irregularidade e já afirmou ter um "conjunto abrangente de evidências irrefutáveis" para sustentar sua posição. Tebas, por sua vez, declarou que a LaLiga também já sofreu pressões ao tentar fazer cumprir suas próprias regras, mas que ceder não é uma opção — o valor da certeza jurídica, segundo ele, é mais importante do que qualquer conveniência.

O CEO da Premier League, Richard Masters, também presente no evento, foi questionado sobre o caso logo depois, mas recusou-se a comentar tanto o andamento do processo quanto qualquer perspectiva de prazo para uma decisão. Instado a dizer se o caso havia levado a liga a refletir sobre formas de agilizar situações semelhantes no futuro, Masters reconheceu apenas que qualquer regulador deseja um sistema judicial eficiente e ágil — e que isso era o máximo que poderia dizer.

Categorias

Ver todas categorias

Arne Slot deve ser demitido pela má temporada?

Sim

Votar

Não

Votar

528 pessoas já votaram