Reprodução/LFC TVA Premier League está prestes a começar, e a estreia do Liverpool sob o comando de Andoni Iraola só acontece no domingo, contra o Newcastle, um dia depois da abertura da temporada entre Arsenal e o recém-promovido Coventry City. Com pouca movimentação no mercado até agora — e menos de duas semanas para o fim da janela — e vindo de uma quinta colocação decepcionante na temporada passada, a torcida de Anfield chega com o pé no chão para o novo ciclo.
Colunistas do jornal ECHO, especializado em cobertura do clube, avaliam que o momento pede paciência. A leitura predominante é a de que esta será mais uma temporada de adaptação do que de conquistas: Iraola está estreando em um comando de alto nível, terá que se acostumar ao ritmo de dois jogos por semana — algo pouco comum na sua trajetória como treinador — e ainda depende de reforços que, até aqui, não chegaram na medida necessária. Some-se a isso o perfil das contratações recentes, em geral jovens, o que reforça a ideia de que o projeto do clube mira mais no médio prazo do que no imediatismo.
Do ponto de vista esportivo, a expectativa é de uma disputa acirrada pela zona de classificação europeia, e não pelo título. Arsenal aparece como favorito ao troféu, com Manchester City e Chelsea como principais concorrentes, enquanto o Liverpool brigaria por uma vaga entre os quatro primeiros ao lado de Manchester United, Aston Villa e Tottenham — sem garantias, inclusive, de que o quinto lugar assegure vaga direta na Champions League, dado o desempenho recente dos clubes ingleses nas competições europeias secundárias. Terminar no G4 já seria visto como uma conquista importante para o primeiro ano de Iraola; ficar em quinto seria simplesmente o esperado. Avanços em Copa da Liga e FA Cup, por sua vez, esbarram na falta de profundidade do elenco.
Há também uma leitura mais financeira sobre o que definiria uma boa temporada. Uma campanha longa na Champions League, com nova classificação garantida para o ano seguinte, seria o cenário ideal em termos de retorno para o clube — mas essa foi justamente a régua que Arne Slot atingiu, sem que isso fosse suficiente para mantê-lo no cargo. Por isso, repetir o desempenho do holandês em sua segunda temporada é tratado quase como um piso mínimo para Iraola, que tem ainda a missão extra de manter um futebol atraente aos olhos da torcida.
Um ponto de curiosidade da nova fase é justamente essa questão estilística: resta saber se a proposta ofensiva e de alta intensidade do treinador espanhol vai funcionar contra adversários que, com frequência, preferem jogar mais recuados. Uma disputa real pelo título é vista como improvável neste primeiro ano — o elenco ainda carece de profundidade para competir bem em quatro frentes simultâneas, e ninguém no clube quer repetir episódios como a eliminação por 3 a 0 para o Crystal Palace na Copa da Liga.
Diante desse cenário, cresce entre os torcedores a disposição de abrir mão de resultados imediatos em favor da construção de um projeto mais sólido sob o novo comando. Ainda assim, dois fatores são apontados como decisivos para o rumo da temporada: uma defesa mais consistente e a capacidade de Iraola extrair o melhor de suas contratações mais caras, Alexander Isak e Florian Wirtz. Resolvendo essas duas frentes, o restante tende a se encaixar com mais naturalidade — mas, por ora, a mensagem geral é de cautela: a temporada promete ser instável, e a torcida deve se preparar para isso.